Pernambuco Nação Cultural

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23.09.2011 - 14h14

Diversidade de ritmos embala público da V Noite da Dança em Petrolina

O evento integrou a programação do Festival Pernambuco Nação Cultural - Sertão do São Francisco

Cirlene Leite

Moacir Torres

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A Concha Acústica da Praça do Centenário serviu de palco para a V Noite da Dança de Petrolina, nesta quinta-feira (22/09), dentro da programação do Festival Pernambuco Nação Cultural e do VII Festival da Primavera. Por lá passaram em diferentes ritmos, 13 das 22 companhias e escolas de dança em atuação na cidade. O gosto pela dança, em Petrolina, começa muito cedo, ainda na infância, e isso pode ser constatado pela grande participação de crianças e adolescentes nesses grupos. A faixa etária do Maracatujaba, o maracatu da Escola Municipal Prof. Nicolau Boscardim, que abriu a noite de apresentações, vai dos 8 aos 17 anos, e apesar da pouca idade a garotada fez bonito, inovando na batida e nas coreografias. “É um maracatu para-folclórico, ou seja, tem o propósito de preservar a cultura popular, mas sem a preocupação dos Maracatus de Nação que prezam também pela tradição”, argumenta a professora Maralvina Teixeira, responsável pelos alunos.

A cidade de Petrolina faz divisa com a Bahia e está muito próxima também dos estados do Ceará e do Piauí, sofre influências do reggae, do forró estilizado e do axé, mas nada que  descaracterize sua pernambucanidade, marcada pela diversidade dos ritmos da nossa terra. Um trabalho de resistência. Foi isso que se viu nas apresentações do frevo, do maracatu, caboclinhos, xote, xaxado e baião, movimento mangue, etc., trazidos ao palco por diferentes grupos, como Balé Popular Brasílica, Grupo de Dança Balançarte e do CAM – Centro de Arte e Movimento de Petrolina. Já a Cia. Casa de Orastes, trouxe o sincretismo religioso dos orixás na batida característica do ritmo afro, com direito ao espelho e a espada, como manda o figurino.

O balé clássico, o moderno e o contemporâneo, estiveram presentes nas coreografias bem ensaiadas, nos movimentos sincronizados e na leveza dos gestos do elenco de dançarinas e dançarinos das companhias Fértil de Danças,  Ballet Claudia Ramalho, Ballet Geraldo Pontes e Ballet Katherine Soares, o homenageado da noite, pela Secretaria de Cultura e de Turismo de Petrolina. A Companhia tem 17 anos e foi a primeira a aceitar homens para dançar, apesar do preconceito dos anos 90. A bailarina Katherine Soares presenteou o público com um solo onde pode mostrar toda a sua técnica.

Já a Cia. Qualquer Um dos 2 mostrou um dos trechos do espetáculo Deixar Ir, que contextualiza o sofrimento do “romper” dos amantes, o amor não correspondido, através dos clássicos da música  romântica brasileira das Divas Dalva de Oliveira, Dolores Duran, Maysa e até Elis. Na versão completa, o espetáculo amplia o leque, passa pelas cantoras do rádio para chegar aos dias atuais com Adriana Calcanhoto, Ana Carolina e Fernanda Takai, e em todas elas a temática comum do amor perdido. A coreografia mostra bem esse sofrimento, dançarinos rastejam, simulam dor e desespero, como se chorassem. Perfeita tradução dos passos criados pelo coreógrafo André Vitor Brandão e direção de Jailson Lima, os 2 do qualquer Um.  

E se o público se entusiasmava a cada apresentação, imagine o que ele fez quando os ritmos quentes e os passos sincronizados dos casais nas danças de salão tomaram o palco. A salsa, o samba, a gafieira e até o Fox Trot, foram acompanhados na palma da mão da platéia, nos gritinhos e vibrações. Palmas para Companhias de Dança de Salão Marcos Canuto e de Gabriel Andrade. E fechando a noite, a Cia. HDR – Hits Das Ruas com sons computadorizados, funks, bate-estaca, hip-hop,  e as coreografias robotizadas com passos lentos quebrando o corpo, girando com a cabeça no chão,  próprios das danças de rua dos negros americanos de Nova Iorque, onde se popularizou e ganhou o mundo. Só que  a versão “tupiniquim” teve até o hino nacional estilizado, bem brasileiramente nosso, Made in Brazil.

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