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05.03.2010 - 09h10

Data Magna de Pernambuco é celebrada com concerto no Cinema São Luiz

Orquestra Sinfônica Jovem e Coral Contracantos homenageiam Revolução Pernambucana neste domingo (07)

Imprensa Fundarpe

Um grande concerto, em homenagem à Revolução Pernambucana de 1817, será realizado no próximo domingo (7), no Cinema São Luiz, prometendo reunir centenas de pessoas em torno de um dos mais importantes episódios da história do Brasil. O evento, marcado para as 10h, contará com a presença do maestro José Renato Accioly, da Orquestra Sinfônica Jovem do Conservatório Pernambucano de Música e do Coral Contracantos, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

A Data Magna, dia da deflagração da revolução é celebrada no dia 6 de março, no entanto, as comemorações ficarão para o dia seguinte. A história conta que, há 193 anos, um grupo de religiosos, militares e intelectuais, com apoio da população, uniu-se e lutou contra os portugueses em busca da emancipação política do País e do estabelecimento de um governo republicano. Durante dois meses, o Brasil viveu um período de liberdade de imprensa, com constituição e bandeira próprias. Embora o movimento tenha sido duramente reprimido pela coroa lusitana, o espírito libertário dos seus integrantes permanece no sangue do nosso povo até hoje.

Em 2010, como parte das comemorações, a entrada do mais tradicional cinema do Recife, o São Luiz, será decorada com a Bandeira da Revolução. Às 10h, haverá uma sessão de homenagem à Revolução de 1817, realizada por representantes da loja maçônica Grande Oriente Independente de Pernambuco. Em seguida, o governador do Estado, Eduardo Campos, tomará a palavra para, na sequência, dar início ao espetáculo.

Quem abre o concerto, às 11h, é o escritor Ronaldo Correia de Brito, falando sobre a Data Magna, a revolução e seus mártires. Logo depois, haverá a apresentação da Orquestra Sinfônica Jovem do Conservatório Pernambucano, formada por mais de 40 integrantes, sob a regência de José Renato Accioly e acompanhamento do Contracantos. Entre as peças a serem apresentadas, está A Grande Missa Nordestina de autoria de Clóvis Pereira.

HISTÓRICO DO DIA 6 DE MARÇO DE 1817

No dia seis de março de 1817, o povo do Recife se levantou contra o domínio colonial português. Algumas semanas depois, as províncias da Paraíba e do Rio Grande do Norte, lideradas por Pernambuco (estado do qual Alagoas fazia parte), também se rebelaram. Pela primeira vez, o Brasil foi independente, o que aconteceu com a proclamação da República. Por mais de dois meses os brasileiros tiveram governo próprio, constituição, exército, esquadra e até embaixadas no exterior. A Revolução de 1817 antecipou a Independência do Brasil em cinco anos (antes do "sete de setembro") e fez valer aqui, pela primeira vez, os princípios da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.

Os pernambucanos foram muito além de decretar a autonomia política no País: também proclamaram a igualdade social e a liberdade religiosa, de pensamento e de imprensa. Não só tentaram acabar com a escravidão, mas, ainda, com a discriminação contra negros e mulatos, entre outras propostas extremamente avançadas para a época como, por exemplo, uma segurança pública eficiente e a prestação de contas aberta dos gastos governamentais, que não foram alcançadas ainda hoje. O sonho durou apenas 74 dias e acabou debaixo de uma repressão violenta e muito cruel, que fez 2.500 vítimas. Seu significado e conseqüências, porém, foram imensos.  

Apesar de sua importância e magnitude, o movimento de 1817 foi relegado, até mesmo em Pernambuco. Um fenômeno explicável, observando suas propostas radicalmente democráticas. Durante o resto do período colonial e ao longo do Império, o poder central louvava muito a bravura dos pernambucanos, que expulsaram os holandeses em 1654 (como se louva até hoje), sob as bandeiras portuguesa e espanhola.

Já os revolucionários de 1817 eram tratados como "rebeldes anarquistas" e "portadores de consciências depravadas". Aqueles patriotas não foram esmagados apenas em vida: sua memória continuou a ser perseguida pelos séculos afora. Apenas em 1917, no primeiro centenário da Revolução, decretou-se feriado nacional e emitiu-se selo, a guisa de comemorá-la. Depois, ela foi novamente apagada.

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